Entrevista a Priscila Dadona
São Paulo, 24 de abril de 2009 - A dois anos de completar um século de existência, sendo 92 deles só no Brasil, a IBM está com fôlego de adolescente. No ano passado, a companhia bateu recorde ao faturar mais de US$ 100 bilhões. Presente em mais de 170 países, a companhia fixa países emergentes e, o Brasil, ocupa lugar de destaque. Para se ter uma ideia, o País foi o primeiro a receber investimentos em uma fábrica fora dos Estados Unidos - sediada no Rio de Janeiro.
A empresa inaugurou no primeiro trimestre deste ano o IBM Solutions Center de São Paulo (ISC), numa iniciativa que reforça o Brasil como país estratégico para o crescimento da companhia nos mercados em desenvolvimento. Inicialmente, o centro atua com mais de 50 soluções em diversas áreas como finanças, telecomunicações, varejo, bens de consumo, setor público, segmento industrial e manufatura e concessionárias de serviços públicos (empresas de bens e serviços, de água, energia e gás). O centro já recebeu mais de 300 visitantes. É o primeiro da América Latina e atenderá os países da região.
Para falar sobre a atuação da companhia no mercado brasileiro, tendências do setor e as estratégias para o País, o InvestNewse e a GZM.com ouviram Marcelo Spaziani, vice-presidente de vendas da IBM Brasil.
Clique no link abaixo e assista o vídeo da entrevista: Marcelo Spaziani, vice-presidente de vendas da IBM Brasil
InvestNews - O Brasil é hoje um dos principais exportadores de TI, quais as perspectivas para este mercado?
Marcelo Spaziani - O Brasil atualmente tem uma atuação muito forte na exportação de TI, principalmente na área de serviços. A IBM é responsável por cerca de 30% do volume total exportado no segmento. No ano passado, a empresa exportou cerca de US$ 400 milhões - as exportações do País como um todo atingiram US$ 1,2 bilhão. Hoje, no nosso centro de serviços em Hortolândia (interior de São Paulo), contamos com 4.500 pessoas trabalhando só nisso. Na IBM como um todo aproximadamente sete mil profissionais se dedicam à exportação de serviços.
InvestNews - Acreditam então que as perspectivas são de crescimento?
Marcelo Spaziani - O Brasil tem uma mão-de-obra bem qualificada. Temos alguns desafios como a concorrência com a Índia e a China, principais exportadores de serviços e idealizadores de softwares. Também enfrentamos desafios trabalhistas e tributários, que são inibidores de negócios. De qualquer forma, somos competitivos em alguns segmentos, até no setor financeiro, no qual o Brasil se destaca. Isso gera uma série de oportunidades para se desenvolver novos programas, softwares e soluções não só para o Brasil como para o mundo todo. Trabalharemos sempre em áreas que ofereçam oportunidades nas quais temos alta competência. Assim, podemos estar sempre à frente dos demais países.
InvestNews - Falando de marcado para o Brasil, há alguma área específica (hardware, software, serviços) na qual o Brasil se destaca? Por quê?
Marcelo Spaziani - A IBM é uma empresa que tem um portfólio amplo. Hoje, mundialmente, a área de serviços e a de consultoria já representa 52% do faturamento total da empresa. No ano passado, aliás, a IBM bateu recorde de faturamento com US$ 104 bilhões. A IBM - que era uma empresa conhecida como uma companhia de tecnologia, de desenvolvimento de computadores de uma forma geral - tem nas áreas de serviços uma participação maior do que nas áreas de hardware e software.
Todos os componentes são importantes porque trabalhamos voltados para a necessidade de negócios dos clientes. Temos até uma solução na área financeira. A IBM possui um banco - o Banco IBM - para nos ajudar no processo de financiamento, buscando uma operação de leasing e oferecendo uma solução tecnológica e financeira aos nossos clientes.
InvestNews - Diante da crise financeira, quais os desafios a serem enfrentados pelo segmento?
Marcelo Spaziani - Os desafios para uma empresa como a nossa que está há 92 anos no País é grande. Num momento de crise é normal as empresas sofrerem mudanças, restrições de orçamentos na busca de ganho em eficiência operacional. Nosso desafio é entender esse momento e encontrar alternativas para ajudar as empresas. Nesse momento de crise é hora de trabalhar de mãos dadas, buscando alternativas e soluções. Quanto melhor os clientes saírem desta situação, melhor para a IBM também. Em momentos difíceis é que testamos as parcerias e temos oportunidade de saírmos fortalecidos. Os nossos clientes sempre colocam: a IBM, nestes momentos, atua como parceira de negócios e não como fornecedora de tecnologia.
InvestNews - Qual a posição da IBM Brasil nas estratégias da IBM em nível mundial?
Marcelo Spaziani - No ano passado, a IBM tomou a decisão de mudar o modelo de cobertura de mercado (a empresa atua em mais de 170 países). Dividiu as atuações. Uma parte da organização foca países maduros, como EUA, Canadá e o lado desenvolvido da Europa e Japão com um tratamento diferenciado. A outra facção se volta para países em crescimento - grupo em que o Brasil tem uma importância muito grande.
InvestNews - Por que a IBM fez isso?
Marcelo Spaziani Porque numa economia madura, o crescimento econômico dos países é baixo: em torno de 1% ao ano em situações normais, sem crise. Já em países em desenvolvimento, o crescimento gira em torno de 10% e, em alguns, até com mais de 10%. Aí há uma situação completamente diferente. São países com oportunidades, onde a empresa que fazer investimentos. Tem que estar ligada a mudanças de mercado e agir rapidamente para aproveitar tais oportunidades.
E a IBM fez esta mudança. A IBM Brasil e a IBM América Latina se reportam agora a uma organização mundial sediada em Xangai, liderada por um executivo que já atuou no Brasil e América Latina. E isso é muito bom, uma vez que o executivo conhece a nossa realidade e tem foco para buscar oportunidades e continuar crescendo. É para isso que estamos aqui.
InvestNews - Quais são os principais desafios para uma empresa como a IBM se destacar no mercado brasileiro?
Marcelo Spaziani - O desafio é sempre crescer e crescer acima do mercado. Nosso objetivo é alcançar uma posição destacada e, sem dúvida, já ocupamos um espaço importante na economia brasileira. Nosso desafio tem sido o de atuar não só nas áreas de tecnologia, mas também nas áreas de negócios. Fizemos recentemente um investimento grande em um centro de soluções para a América Latina que busca tratar de ambientes e processos de negócios de cada uma das indústrias das quais os clientes estão inseridos. Por exemplo, a indústria financeira, de seguros, telecomunicações, varejo, setor público etc. Este centro atua com soluções específicas para cada um desses segmentos e, por isso, queremos estar próximos de cada um dos clientes. Entender suas necessidades e buscar soluções customizadas. A IBM tem uma estrutura de centro de soluções no mundo todo. E, sempre que se tem demanda de um cliente, olhamos alternativas que foram desenvolvidas fora do País - com as mesmas características - para trazer ao Brasil. Ou ainda, eventualmente, partimos para o desenvolvimento de uma solução própria para aquela demanda. Então, o maior desafio é estar conectado com os gestores de negócios das empresas e não só na área de tecnologia.
InvestNews - O centro foi criado neste ano?
Marcelo Spaziani - Anunciamos sua criação em fevereiro, mas o centro já existia há um ano e meio somente para a indústria financeira, como bancos e seguradoras. Foi uma experiência muito bem-sucedida. Houve interesse por parte de toda a indústria financeira. Recebemos a visita de executivos de várias empresas do Brasil e da América Latina. Em fevereiro anunciamos a criação para os demais segmentos.
InvestNews - Como funciona este centro?
Marcelo Spaziani Primeiro é preciso dizer que a equipe que atua aqui é altamente capacitada, com nível equivalente ao dos clientes. Aqui conseguimos fazer simulações dos ambientes reais de negócios, mostrando como aquela solução funciona na prática. Um bom exemplo, na área financeira, é a simulação de um ambiente de agência bancária.
InvestNews - Esse centro faz parte de alguma estratégia mundial da IBM para este ano? E quais os lançamentos?
Marcelo Spaziani - Sim, faz parte da estratégia mundial da IBM tanto que temos centros desse tipo espalhados em todo o mundo. A IBM possui ainda uma estratégia mundial que é o Smart Planet.
InvestNews - Além deste plano, a IBM planeja algum outro investimento para este ano?
Marcelo Spaziani - Estamos fazendo muitos investimentos. Recentemente, anunciamos em Hortolândia um novo site. Enquanto há um movimento de algumas empresas de corte e restrições, a IBM caminha para o crescimento com a contração de funcionários. No final do ano passado, tivemos a definição de um plano trienal no qual assumimos ([IBM Brasil] um compromisso com a corporação, buscando um posicionamento destacado e estamos trabalhando em cima dele. Mesmo neste ambiente de crise global enxergamos oportunidades e estamos com muitas iniciativas. Acreditamos sair desta turbulência global muito melhor do que entramos.
InvestNews - Dentro das oportunidades citadas, quais são os desafios para IBM Brasil em 2009?
Marcelo Spaziani - Os desafios são buscar as oportunidades em meio aos problemas. Meu chefe costuma dizer que neste cenário "muitos choram e outros vendem lenços". Estamos no cenário de "vendas de lenços".
Entrevista concedida e publicada no Jornal Gazeta Mercantil































